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DPM

 

I – Do questionamento que privas

 

O que te aprisiona?

Quais tuas amarras?

Os teus grilhões?

Consciência.

Ter ciência em si.

Situar-se diante de si.

De que lado está a prisão?

Onde estão tuas grades?

Qual é tua sela?

Qual é tua sílaba?

Qual é a tua cilada?

Qual tocaia tu te pegaste?

 

II – Da percepção dos cárceres

 

Tuas ideias e teus ideais são uma prisão em si

Tuas projeções, infinitas e grandiosas, assustam

quem não consegue enxergar além do alcance do olhar.

Limita-se ao horizonte próximo

E não vê a lua quando o sol a acompanha

E só percebe o cheiro da brisa quando ela anuncia chuva.

E aí eu te pergunto: quem é que está preso?

Tu, pela liberdade de voar e ver adiante?

Ou o outro que mede a liberdade numa fotografia ampliada e dinâmica;

Paisagem recortada da visão?

 

III – Das celas sem grades

 

Se tua mente é uma mentira que acreditas estar livre,

Ao outro é uma verdade inconteste;

Se teu corpo te tornas uno e completo,

Ao outro é uma incongruência desmedida.

A dor é uma prisão que não tem nome

Uma chaga aberta que não sangra mas lateja.

É a tua questão!

E por isso nunca será tua alforria.

 

IV – Do aprisionamento na desmaterialização

 

E entregar-se ao universo foi a liberdade

que acreditaste ser e por isso desceste teu corpo à terra?

A tua alma onde estará?

 

 

 



Escrito por Anderson Ribeiro às 16h27
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Metrópole

 

Nessa cidade de milhões de habitantes
São tantos carros e aviões
Buzinas e sirenes
E tanta falta de atenção
Que nem sei se é desprezo,
Falta de tempo
Ou desumanização.



Escrito por Anderson Ribeiro às 16h14
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Montevideu


De tanto caminhar pela cidade que se abre.
Me encontro na Rambla Gran Bretaña e há um cheiro de maresia que me acalma
Há uma brisa fria que não me afasta e um horizonte que me chama.
Me abrigo em La Ronda e tomo uma cerveja e faço poesia como quem quer companhia
E ouço o mundo ao meu redor
Estou só mas inteiro
Estou intenso e disperso
Sorvo cada palavra sem tradução e me sinto no mundo estando sentado aqui nessa mesa sem compreensão.



Escrito por Anderson Ribeiro às 13h04
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Cavalo de Tróia


Quantos guerreiros quedaram a seus pés

Quantos?

E quantos outros sem história e sem glória?

Sua beleza traiu os homens e sua resistência

E de olhos bem abertos ficaram cegos

E cegos morreram por você.

Que só queria estar viva

Que só queria proteção.

Mas por que trair sua irmã?

Tirá-la o homem que já não era só dela

Para ser só seu?

E depois de saciada a volúpia

Abandoná-lo ao ódio que vem depois do amor

E do próprio abandono.

Quantas guerras provocou na alma de cada homem.

E quantas guerras provocou entre tantos reinos

Por sua beleza e companhia?

Quantos homens encorajou à morte para a sua própria defesa?

Mas quantos homens você amou de verdade?

E mesmo depois de deposta e abandonada e morta por vingança

De uma outra mulher

Quantas outras não a desejariam tê-la viva

Para vê-la definhar aos poucos e com os muitos anos?

E decrépita, ver-se morrer olhando para a própria imagem?

 

 

 

 

 



Escrito por Anderson Ribeiro às 15h34
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Identidad

Si el tiempo pasa
Seamos nosotros mismos

 


Da Série Depoemetos

 



Escrito por Anderson Ribeiro às 20h30
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Montevideo II

Um milhão e meio de habitantes.
Quase todos presos em suas casas pelo frio
Quase todos ávidos por algum acontecimento
Quase todos
Em dias quentes saem feito baratas de suas tocas e ocupam a cidade
Uma liberdade feito quem nunca a teve.



Escrito por Anderson Ribeiro às 20h27
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El Mingus

 

Está frio e não me importo
Sou estrangeiro e isso não me limita
Nem a mim, nem a meu corpo
Nem a minha língua.
Yo tengo El Mingus, jazz até o fim
Eu até o fim
Os dias sem saber onde estão 
O tempo perdido em ser o fim que sempre começa.



Escrito por Anderson Ribeiro às 15h53
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Desbravamento

Tenho fome de mundo
E nele me sacio com pequenas porções de afeto 
Não é que me contento com pouco
É que pequenos gestos são suficientes pra alegrar o coração

Da Série Depoemetos



Escrito por Anderson Ribeiro às 15h46
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Quase nada


Na minha vida de quase morte
Quase sempre me vejo pronto para a morte nessa quase vida
Quase sei o que desejo e aí sou quase feliz.
Mas quase sempre estou partindo e retornando quase sempre pra saber quase amar;
Quase sorrir;
Quase esquecer que esse mundo de quase nada me implora por quase tudo.
E com promessas de quase eterno, entrego-me de corpo, alma e vinho tinto a essa mentira de ser quase alguém.



Escrito por Anderson Ribeiro às 14h04
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Eu

 

Meu nome é Anderson Ribeiro,
Comecei a morrer no dia 3 de agosto do ano de 1972.
Enquanto aguardava a morte fui muitas coisas
Mas o que mais fui foi ser poeta e busquei também ser feliz.
Obtive êxito em diversos momentos.
Mas descobri que a felicidade é feito a dor: vem e depois passa.
Provei-a com bebidas e drágeas.
Foi quando me senti imbatível .
Eu era o cara mais feliz que habitava essa terra.
Eu voava e ria e voava e ria um riso contagiante e libertador.
Minha alma ria junto e queria sair de mim porque era etéreo, leve e exalava perfume.
Eu voava e ria como quem queria desbravar o mundo.
Mas minhas asas aos poucos depenavam
E eu voltava a ser o poeta fugindo dos dias no papel em branco.



Escrito por Anderson Ribeiro às 13h31
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Caminhos Cruzados


Abrigo-me do frio no Bar Andorra com a ajuda de um Tannat tinto.
Jorge Drexler também me aquece enquanto vejo a Amelie Polanski. 
E as pessoas nas mesas ao redor conversam uma conversa que não sei o assunto... mas não me importo.
Aqui dentro me sinto acolhido apesar de estranho.
Tenho sede de ser parte do mundo e isso me move e me transforma e me avança rumo a não sei o que será.
Não procuro respostas.
A minha paz está sempre na próxima estação.



Escrito por Anderson Ribeiro às 13h46
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Despedida

 

E de repente não sentia mais cansaço, nem raiva, nem amor. 
Despertou mas não levantou e foi estranho. Porque tudo era tão leve e libertador!
Havia sensação mas não sentimentos. 
De repente tudo era tão simples e descomplicado...
De repente nada ao redor fazia sentido e isso não importava. 
Aliás, nada era mais importante.
Os bens que conquistou; a vida que ergueu; a profissão que abraçou.
Nada era mais relevante; tudo era muito pequeno e desprezível.
E partiu etéreo até sumir de si mesmo.



Escrito por Anderson Ribeiro às 18h16
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Na Espreita

Sou canivete afiado do beco escuro na madrugada
Tomando de assalto a solidão de quem passa
Cortando a garganta para calar o grito do horror que há em mim
E que um dia há de morrer ou me matar.
Quem sabe agora?



Escrito por Anderson Ribeiro às 13h59
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O Desconhecido

 

Aquele que habita em mim e desconheço quer ganhar vida, libertar-se

Mas não sei com que pareço

E por isso não sei se luto ou me venço

E então padeço nessa incógnita de ser eu e quem não conheço

E sendo assim,

Grito alto ou esmoreço diante de quem não reconheço do outro lado do espelho?




Escrito por Anderson Ribeiro às 15h54
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Vulva

Tua carne tenra e macia
Se abria feito talho de navalha afiada
Pulsava trêmula, ofegante e ainda viva
Depois desfalecia sangrenta e quente

 

Da Série Depoemetos



Escrito por Anderson Ribeiro às 16h32
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