
Carpideira Nessa enxurrada de santos Há muitos sapos pra engolir Muita oração pra rezar E pouca fé pra cuspir. E se o que sai de mim é impuro E cheira a pântano Eu pago sapo Eu bebo o santo. Nessa chuva de sapos E muitos santos pra engolir Há pouca fé pra rezar E muita oração pra cuspir. Mas meu estado puro é ouro E ainda assim sou estorvo Nesse mundo de muitos sapos Nessa vida de muitos santos (pra cuspir) Nessa enxurrada de reza Há pouca oração e fé Eu enxoto os sapos com o pé E cuspo os santos que engoli.
Escrito por Anderson Ribeiro às 05h16
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Dos Possíveis Libertados II Eu contava os passos que dava no pátio. Circulava-o oito, dez vezes, duas vezes por semana. Era pequeno e dava pra contar a liberdade que tinha naquele momento, a liberdade que não sabia quando e se um dia estava a minha espera. Me perguntava sempre se um dia conseguiria me adaptar a outras distâncias e espaços... A liberdade é muito mais que uma virada de página; e isso é muito mais que lamber o dedo e passar folha por folha. A liberdade vai além do lado de fora do pátio; vai além de quantos passos se podem dar depois do muro.
Escrito por Anderson Ribeiro às 00h10
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Instabilidade De tanto pensar na vida Ora rio, ora choro, Ora me estranho, ora me aborreço, Ora apareço... e assim vou me revezando. H(ora) a h(ora). Da Série Depoemetos
Escrito por Anderson Ribeiro às 20h44
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Pingos Chuva cai na janela E gotas enchem minha noite de insônia. Da Série Depoemetos
Escrito por Anderson Ribeiro às 20h28
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Pesadelo E lá vai ele correndo pela floresta Fugindo dos seus medos. Pisando em galhos, Arrasando vermes. E lá vai ele correndo, correndo... Fugindo de si mesmo. Atropelando o vento, Escapando do tempo. Mas pra que correr se não há como fugir do próprio medo? Diga-me, por que correr se não há como fugir do pesadelo? II E ele corre, corre sem direção Como se pudesse escapar do assombro que o assola. E desesperadamente ele corre, corre e corre só E quanto mais distancia, mais mina sua coragem. E quando mais se embrenha mata a dentro Mais seus olhos arregalam de pavor. Sombras vindo, vultos voltando, volteando-no... Sons zumbindo, ruídos ruindo, catástrofe! E pra que fugir se se corre em círculos? Diga-me, por que correr se num pesadelo ninguém sai mesmo vivo? III Gostaria de acordar num susto De súbito, no átimo de sucumbir sem ar Como quem cai no abismo e não morre E heroicamente desaninhar dos braços de Morfeu e dos seus. Mas a vida é séria e galopa para a morte... sempre! Como sempre se serve dessa taça de puro sangue! Como sempre se vê à beira do mar que o sorve! Como sempre se sente indefeso quando dorme! Como sempre acontece incessantemente e não se importa. E não adianta debater-se na folhagem Não adianta voar, esticar os braços Não adianta nem mesmo procurar a luz Assim, queimando os olhos, o levará as trevas de vez. Diga-me, então, por que suar o lençol se não há salvação? Por que ressecar os lábios, perder o juízo, cansar-se em vão? Pra que se torturar, ficar rouco se ninguém vai ouvi-lo? Pra que, se você está sozinho e o tempo no último grão?
Escrito por Anderson Ribeiro às 17h57
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Axés A Bahia é gigante e cabe todos os santos O campo é grande e cabe o carnaval. Da Série Depoemetos
Escrito por Anderson Ribeiro às 17h04
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Temperos A fruteira está vazia a espera de sabores no meio da mesa da cozinha, no meio da cozinha, que nem de longe lembra a luz de outras cozinhas povoadas e cheirosas. A cozinha, sempre pensei, é a flor da casa... exala vários aromas; perfuma a manhã, o meio dia, à noite... a madrugada tem cheiro de repouso, mas não dorme se no quarto houver insônia.
Escrito por Anderson Ribeiro às 10h46
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Sonho Meu sonho é pensamento sem pressa Evento volátil a brincar enquanto durmo. Da Série Depoemetos
Escrito por Anderson Ribeiro às 09h41
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Volatilidade Sorver a vida numa taça de vinho... Em que safra foi colhida minh’alma? Da Série Depoemetos
Escrito por Anderson Ribeiro às 22h49
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Criação Desatar os nós das mãos Os nós dos dedos Nas no-tas do violão... Quantas são as canções a espera de nós? Da Série Depoemetos Obs: A fotografia é de Nanda Ferreira/BENDITA e está no seu flickr
Escrito por Anderson Ribeiro às 22h43
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invertebrado Qual o osso do ofício da mariposa Que posa, posa e voa? Da Série Depoemetos
Escrito por Anderson Ribeiro às 10h46
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... Minha rima é minha briga Minha rima é minha vida Então saia da minha... saia! Da Série Depoemetos
Escrito por Anderson Ribeiro às 10h41
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Zona Norte No morro, mesmo no topo, Não se vê Cristo iluminado. E (na favela) o que resta É olhar mais para o alto; Contemplar os astros; E imaginar estrelas caindo Para guiar os passos.
Escrito por Anderson Ribeiro às 07h21
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Desmaio Escurece mais cedo no SionDe onde se vê o sol Esvaziando o Belo Horizonte
Escrito por Anderson Ribeiro às 23h11
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Mulherzinha Você é tão démodé! É do tipo que manda cartão postal Escreve carta a mão Consulta mapa astral. Não sai em temporal E acha normal Sair de sombrinha Em dias de sol.
Escrito por Anderson Ribeiro às 22h34
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