HQ Balões no céu de Brasília. Pensamentos alçados ao infinito
Da Série Depoemetos
Escrito por Anderson Ribeiro às 19h45
[]
[envie esta mensagem]
[link]

Distância À Angélica Amorim De onde estou até você São mais de dois mil quilômetros de poesia, Mas qualquer dia, prometo: venço essa rima. Da Série Depoemetos Ilustração: Dreamstime.com
Escrito por Anderson Ribeiro às 14h02
[]
[envie esta mensagem]
[link]

Desejo Estou à espera de um alívio que não vem com o vento, Que não vem porque espero. Porque o que quero, Apesar de soberano, É prioridade só minha. Da Série Depoemetos
Escrito por Anderson Ribeiro às 09h31
[]
[envie esta mensagem]
[link]

No tempo da delicadeza A Guilherme Strozi
Já havia completado 28, mas foi a primeira vez que se aventurou numa sessão de circo. Passeio dominical com a namorada para sair da rotina comida-casa e piada. Antes de entrar, tratou logo de comprar pipocas (algodão doce era um pouco demais). Era mesmo um mundo colorido, mágico. Ao ver a disposição dos assentos, comparou logo com uma arena e filosofando, comentou: Era assim na Grécia, os artistas ficavam no centro, davam suas caras a tapas, meu! Rock’n roll na veia, veeeelho! Por não ser mais criança, reparou nos truques de alguns artistas, sabia que ali era só ‘cascatinhagem, como eles dizem’, mas se divertiu como uma criança, apesar disso. Avaliar como toscos alguns números, não tirou dele o sorriso de contentamento e alegria que o circo nos proporciona, nem o espanto com o globo da morte; respiração ofegante e alívio quando as motos param. Aplausos, muitos aplausos e um assovio bem alto. Daqueles de moleque pra chamar a atenção da turma sobre algo suspeito. Estava cumprindo tardiamente uma etapa que havia pulado; que não viveu; naquele momento ele estava preenchendo um vácuo temporal. E por nunca ter vivido isso, eximia-se de entrar em detalhes se o tema do papo fosse circo. Engraçado como ele sabia falar sobre tantas coisas, política, comunicação, sociedade, comunidade, liberdade e ainda não havia experimentado a liberdade de se perder na imaginação e se sentir super-homem quando os trapezistas entram em cena, vendo-se lá, voando, saltando de um lado pro outro, destemido e forte e meio herói. O circo tem cor de gargalhada e sabor de infância. O circo tem magia de cinema e imaginação de quadrinhos. Ilusão de felicidade permanente e mundo sem dor e injustiça. O circo é mais que um conto, é mais que uma história encantada. É equilibrar-se na corda bamba dos dias, rir do próprio anonimato, domesticar crises e misérias, pintando o rosto e feito palhaço, saudar o mundo de braços abertos, respeitando o público de qualquer idade. Foi assim que se entregou a infância multicolorida do circo e se pegou rindo de bobagens como quem se desnuda do corpo de homem e entrega a alma num banho de chuva feito menino.
Escrito por Anderson Ribeiro às 16h24
[]
[envie esta mensagem]
[link]

Receita pra esquecer de vez
Vou dissolvendo minha memória como Sonrisal. A cada arroto um momento se apaga. E pro seu azar ou pra minha azia, Minha cabeça fica vazia de você.
Da Série Depoemetos
Escrito por Anderson Ribeiro às 18h29
[]
[envie esta mensagem]
[link]

Mentalmente E feito poeta escroto Penso o tempo todo No seu vestido florido E você nele; E você sem o vestido, Despetalada.
Da Série Depoemetos
Escrito por Anderson Ribeiro às 19h24
[]
[envie esta mensagem]
[link]

Até que a morte nos separe Queria poder dizer aos milhares de demônio que fossem embora, mas se fosse tão fácil eles não viriam a toda hora. Assim me visitariam só de vez em quando para me surpreender, mas eles preferem ser meus companheiros diários e nem se importam mais se não os quero por perto. Eles são persistentes, alfinetam-me quando os abandono e me visitam quando estou dormindo. Eles são persistentes sim, mais que eu mesmo que às vezes não sei o que faço, que às vezes me derrubo quando eles põem a perna. Queria mergulhar no mar e matá-los afogados, mas eles se conservam no sal que os atinge; e me entorpecem quando a noite vem, maresia, fria solidão e pensamentos. Já não sei pra onde vão as Valquírias quando cavalgam; já não sei pra onde vão as estrelas quando explodem, nem se há outra dimensão além do buraco negro. Lá não sei se eles escapam ou se eu desapareço.
Escrito por Anderson Ribeiro às 20h08
[]
[envie esta mensagem]
[link]

Oração para não passar pela vida impunemente Se não tem mais palavras então grite; Se a voz está rouca, agite. Se a roupa está pouca, legalize. Se a fé está louca, polemize. Da Série Depoemetos
Escrito por Anderson Ribeiro às 22h13
[]
[envie esta mensagem]
[link]

(In)certeza Agora não sei a quantas ando; Não vigio para não me espantar. Vou sempre adiante como quem foge do que já viu e não foi bom. Tenho aversão ao que atrasa o mundo E por isso, não tenho medo do caminho, Tenho prazer na distância E no que posso encontrar no fim da estrada. Da Série Depoemetos
Escrito por Anderson Ribeiro às 16h14
[]
[envie esta mensagem]
[link]

Território
Precisei partir para perceber que esse lugar nunca foi meu E o que habito tampouco será. Precisei partir para perceber que nesse chão já não me reconheço. E precisei sentir que meu corpo é meu território, É onde moro e me cabe e me pertence e me leva e me suporta. Da Série Depoemetos
Escrito por Anderson Ribeiro às 10h54
[]
[envie esta mensagem]
[link]

A prova Bem que tentei fechar as feridas, mas elas insistiam em ficar abertas. Tentei pós, pomadas, comprimidos, antibióticos e nada. Bem que tentei pulverizar o mal que elas deixaram, mas só consegui amenizar a dor com um pouco de paciência e uma boa dose de desejo. Sei que passei minha vida tentando, tentando e tentado, alcancei umas felicidades; uns momentos alegres e os aproveitei e foi bom e foi curtamente eterno e sorri, como quem sempre sorriu a vida inteira.
Escrito por Anderson Ribeiro às 20h17
[]
[envie esta mensagem]
[link]

Tormenta II
Estou aflito. E penso pra onde vou se seguir em frente, Mesmo querendo entrar a esquerda na próxima esquina. Até que ponto isso influencia na minha história? E se tivesse virado à direita... Onde teria chegado? Quantos desfechos tem a vida! E eu, aflito demais, não sei que caminho leva a um lugar seguro no futuro. Da Série Depoemetos
Escrito por Anderson Ribeiro às 19h18
[]
[envie esta mensagem]
[link]

Do tempo que sangra De repente me pego achando que o tempo não passou por mim tão impávido, tão cruel. Mas apesar de vestir algumas roupas que até pouco tempo não cabiam e eram impossíveis de um dia poder entrar nelas, o espelho mostra, às vezes, alguém que não reconheço, que está aquém de mim. As cãs brancas são charme, penso; mas outras no peito que encontro esparsas, imagino, ninguém as nota. Uma pinça para removê-las talvez basta. Dores, não sinto mais em minhas articulações; o que me faz ter uma certeza de que posso ainda muito mais; e isso é uma esperança inabalável de Ariadna; e feito ela, vou tecendo e alongando meus anos. Assim, não os sinto e vou dando contornos de atualidade e de eternidade a eles. Assim também, mesmo tentando, não consigo olhar pra trás com ar de saudosismo, mas isso vai chegar um dia. Sei apenas; não sinto. Ainda não chegou a hora de contar quantas mulheres passaram por mim, nem mensurar a importância de cada uma delas na minha vida. Sei apenas de quem amei; de quem passou apenas, não me recordo. Agora me vejo entre livros, Cds e entre uma dose e outra de vodca procurando desesperadamente um porto onde possa me acalmar. Sei que estou longe da verdade, mas não é ela que procuro agora. Eu só quero um pouco de paz, mas sem o descanso profundo da morte. Eu não a quero tão próxima. Essa vai ter que esperar um pouco mais para poder cortar meus pulsos com sua foice afiada e sem piedade.
Escrito por Anderson Ribeiro às 18h28
[]
[envie esta mensagem]
[link]

Renúncia
A poesia me aproxima de mim E me distancia do mundo. Preciso viver os outros.
Da Série Depoemetos
Escrito por Anderson Ribeiro às 22h37
[]
[envie esta mensagem]
[link]

O quintal musical da tia Isaura
Quem passa pela frente da casa da Tia Isaura, sente-se logo que ali mora uma família de bem com a vida; disposta e que abraça quem por lá chega. Mas pelo aspecto do lugar, um grande terreno cercado por arame farpado e várias fruteiras que nos abrigam do sol, e protege a escada que dá acesso ao alpendre e que nos recebe com aconchego de descanso e liberdade, sensação única de quem mora na grande cidade e encontra paz de campo; Quem passa por lá, nem nota que o povo daquele lugar gosta de celebrar. Mas percebem que o alpendre abriga também a porta sempre aberta da casa, sempre! Dela pode-se ver a Tia Isaura preparar os quitutes ao lado do Flávio Pacheco. Juntos formam uma dupla que adora empanturrar todos que chegam. Tem sempre amizade, tem sempre carinho, tem sempre amor e, como não poderia deixar de ter, tem sempre gente chegando, comida e bebida gelada pra batalhão.
Guilherme, Tyrone e Romina Alencar são os filhos da Tia Isaura e adoram música, por isso, nas reuniões da pacata casa de alpendre da Tia Isaura que tem em seu quintal limão, laranja e acerola, também tem muito rock. É uma banda que não tem nome, mas tem estilo. É formada pelos irmãos Alencar e por vários amigos músicos, como o Vasco Jones e o Cris que chegam e vão agregando. Quando se percebe há um show de rock acontecendo num palco improvisado bem embaixo das árvores frutíferas do quintal da Tia Isaura. E assim as horas passam e a noite vai pesando nos ombros do horizonte. Nesse momento, a pequena reunião ‘pra rever e juntar os amigos’ já é uma festa sem ingressos. Tudo são camarote vip e open bar e sem hora pra ter fim. Quem tem disposição madruga.
E pra resumir a história feito música, as coisas aconteceram mais ou menos assim:
♪A festa não pode parar! Acabou a cerveja Sai logo pra comprar. ♫
♪A música não pode parar! Cansou um músico Entra outro no lugar. ♫
♪Esse é o quintal musical da Tia Isaura Que em lugar algum do planeta existe igual. É só lá que uma reunião ‘pra rever e juntar amigos’ Se transforma num grande festival.♫
Escrito por Anderson Ribeiro às 17h51
[]
[envie esta mensagem]
[link]
[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
|