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Acredite

 

Acredite.

Sua vida pode ser uma mentira que você aceita. 

A vida tem duas caras, meu amigo e se engana se acha que está no controle de tudo.

Você é quem você pensa?

Ou uma grande conveniência para seus dias?

Uma personagem, cópia de você mesmo, para se proteger, para se projetar.

A cidade desafia a madrugada e mostra sua cara pelas vias,

Pelos becos,

Pelos cantos escuros e imundos que esconde suas crias.

Só quem vivencia as sombras pode dizer sobre o quanto é frio e solitário o abandono.

Só quem vivencia as sombras pode dizer sobre o quando é distorcido e difuso o medo.

Mas o abandono e o medo transmutam o carinho em asco;

O amor em ódio;

O fogo em gelo.

Eis o vale da morte.

Eis o vale das almas atormentadas e sem norte.

E então, quem é você antes da noite?

Acredite.

Sua vida nunca será tranquila dentro ou fora daqui.

Acima ou abaixo desse céu.

Longe ou perto da minha boca.

A sua vida é uma mentira que você aceita.

E não adianta negar essa condição

Será em vão querer mudar enquanto os ponteiros param

Será em vão querer parar enquanto os ponteiros mudam

E se você se pegar diante de um espelho...

Quem você verá refletido?

Quem é que estará mentindo?

Do lado reverso você também habita seu universo?

Do lado inverso você é seu próprio avesso?

 

Do lado de dentro serei eu o seu segredo?



Escrito por Anderson Ribeiro às 00h56
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Um Nó


Tenho medo de escrever a história recente do Brasil.

Tenho medo da imparcialidade;

Tenho medo de julgar.

Mesmo aqueles que percebo estarem zombando do povo.

E eu também sou povo!

E por ser povo, eleger meus monstros inimigos:

Os que considero usar o sistema para benefício próprio

E também para ferrar quem não está ao lado deles.

Tenho medo de disparar aos políticos hipócritas,

Transmutado em uma raiva acumulada,

As mazelas das pessoas que sofrem todos os dias

No campo, nas ruas, nas cidades, nas favelas;

E por isso mesmo tenho medo de estar me julgando covarde

Por não vomitar tudo isso em textos nos 'jornais' de todos dias das redes sociais.

Não, não tenho medo do julgamento que vem além de mim mesmo.

Somos julgados a todo instante pelo que fazemos e pelo que não fazemos.

Todos têm uma opinião formada sobre qualquer coisa ou pessoa mesmo sem conhecer

E não fujo dessa lista.

Estou morrendo um pouco todos os dias

E tenho medo de morrer sem me manifestar como deveria;

Ou como eu julgo que deveria.

Mas não quero ser herói.

Não nasci pra ser herói.

Mesmo porque heróis não existem.

Somos todos uma farsa das liberdades que julgamos ter.



Escrito por Anderson Ribeiro às 20h23
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De Samuca
Para Patty Fonseca

É pra ti Patty
Que me faço poesia
Pra que eu possa te tocar todos os dias
Patty é pra ti
É pra ti Patty
Que me fiz Estela guia a te iluminar
Pelos caminhos dessa vida e nesse palco
É só por ti Patty
Patty foi só por ti
Que fiz esse refrão
Foi só pra ti Patty
Porque quero que me trate
Sem vazio nem perda
E é só por ti Patty
Foi só por ti
Porque te amo

De Samuca por AnDERsoN RiBEIrO



Escrito por Anderson Ribeiro às 14h50
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Indiferença


Não sei se me ama ou se me usa
Então tira essa blusa
E me abusa até o dia raiar

Da Série Depoemetos



Escrito por Anderson Ribeiro às 14h48
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Escolha

A vida te desafia todo dia

E você acha que só precisa escolher entre isto ou aquilo.

Apontar para a rota que o faz crer melhor.

A escolha é objeto que aparece a sua frente

Uma bifurcação.

E por mais que você ignore, siga reto,

Essa é apenas mais uma possibilidade que não estava desenhada

Mas já existia

E você achou que transgredir era escolher não seguir o mapa

Mas a escolha não é sua, meu amigo

E a vida segue mesmo que você fuja do roteiro

Um hipertexto.

Nova realidade, nova dimensão.

E agora?

Você sempre achou ter livre arbítrio

Mas essa é uma mentira que você precisa

Porque estar no controle das coisas o faz forte

Mas... Quando você se perceber diante de uma história diferente da que imaginou?

Sucesso ou fracasso;

Solidão ou solidão a dois;

Aventura ou bonança;

Flor ou espinho.

O que você fará?

Escolha agora o que fazer dessa história que fugiu das suas mãos.

Escolha voltar quantas casas forem necessárias até o ponto que você achou que errou.

Não, meu amigo.

Você não pode voltar porque o tempo não é uma escolha.

O tempo é senhor

E por ser senhor, transforma realidades e cenários.

E nada mais seria igual ao que você viu antes.

E agora?

Só lhe resta enganar-se achando ser você seu próprio dono

Ou entregar-se ao fluxo temporal sorvendo descobertas.

E aí, qual é a sua escolha?



Escrito por Anderson Ribeiro às 20h52
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Quimeras


O mundo é o lugar dos meus sonhos
Mas o mundo todo é inalcançável
O mundo é longe e é aqui também
E por isso vou aproveitando o mundo próximo a mim
Mas eu quero outros mundos
Aqueles que não conheço
Aqueles que não sei ao certo
E se será minha redenção ou meu abismo
Mas não se pode tirar aquilo que há dentro de nós
E por isso persigo sonhos e mundos
Tudo ao mesmo tempo
Porque eu próprio sou onírico
E apesar de aparentemente inteiro
Meu interior surrealista derrete feito quadro de Dali



Escrito por Anderson Ribeiro às 17h18
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O Desconhecido

Haverá sempre uma janela sem vela
E um horizonte que não poderemos alcançar
Haverá sempre um poste sem luz
E uma incerteza no fim do beco
Seu medo.



Escrito por Anderson Ribeiro às 17h25
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Desejo

(Aos ventos que vão)


Nesta nau que parte agora mar adentro

Pra longe desse porto que não é seguro

Levo minha alma sem náusea

E um lenço que não será molhado.

Não há lágrimas a derramar

Nenhuma saudade a apertar o peito

Nenhum nome a escrever à eternidade.

Nesta nau que agora parte mar adentro

E pra bem longe,

Leva consigo meu coração livre.



Escrito por Anderson Ribeiro às 20h26
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Silêncio e Sonho


O crepúsculo apaga cachos ruivos de sol espalhados em fogo no horizonte

Da Série Depoemetos

 

* foto Fred Schueler




Escrito por Anderson Ribeiro às 20h23
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...


Sinta-se à vontade para ir;
Leve tudo que puder carregar;
Livre-se do peso que é viver comigo...
Vai.
Liberte-se de mim antes que sua alma desista.
Insista nesse plano de me deixar pra trás sem remorso e sem engano
Você sabe, não existe "eu te amo" ou coisa assim.



Escrito por Anderson Ribeiro às 20h30
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Quando eu fui mulher

Por Anderson Ribeiro

 

Hoje pensei em tantas mulheres que nem lembro de todos os nomes. Me veio à memória Luana, a que tem cor de prata, que enfeita o céu e ilumina a noite. Às vezes mais outras vezes menos e acompanha as estrelas.

Já Cristiana, que tem nome de filha santificada e que veio de uma Maria e um José qualquer; Cristiana é aquela que estampa o medo vestido na pele e a roupa que cobre o medo; um zelo que carrega para se esconder; porque Cristiana sofre nas ruas a violência de todos os dias; Cristiana é predestinada a ter que ouvir insultos e ser tocada, quando queria ser música; e ser comida quando não tem fome; e dar à luz depois de estar nas trevas; e silenciar-se quando pretendia gritar; e mesmo gritando não ser ouvida, e após anos ser notada por olhares e dedos em riste. Que triste! Cristiana é crucificada pela opinião pública; enterrada sem perdão e sem oração e mesmo que se passem três séculos, Cristiana vai ressuscitar ainda com chagas e manto de espinhos.

Mas há também a Mariana que carrega a dor de uma tragédia; a dor de outras tantas fulanas que perderam a história; que foram devastadas e agora são humilhadas por serem fulanas quaisquer, sem nomes, registros ou documentos e juntas com outras cicranas, viram um rio de lama a soterrar seus sonhos e aqueles que as pertenciam e protegiam. Agora elas choram com olhos lassos por nunca mais tê-los em seus braços. Mariana é só escombros e carrega o peso nos ombros e a morte nas encostas. Mariana sucumbiu melífluo rio até desaguar em seu começo e fim: Mar sem Ana... Mariana desprendeu-se, separou-se e se perdeu por completo.

E por falar em Ana... ela é rima e sufixo; independência e complemento; vilã e mártir; frente e verso; avesso e palíndromo; início e fim: Anastácia ou Juliana. Solidão e companhia: Ana, apenas Ana ou Ana Paula, Ana Selma, Ana Julia, Ana Maria e Maria são tantas. São as sem nome e a todo mundo. Ei, Dona Maria! Essa Maria é uma qualquer. A que pede esmolas e a que despreza quem pede esmolas... e Maria foi também mãe da Cristiana, que esconde o corpo um medo tão grande de ouvir nas ruas impropérios. Sina de família! Sua Maria mãe, dizem, sofreu com alcunha de mulher que na vida havia de levar chibatadas. Hoje, Cristiana e todas as mulheres de todos os nomes sofrem por um Cunha que quer ditar seus destinos e torna-las criminosas quando muitas vezes são vítimas.

Hoje pensei nessas mulheres: as que tive e as que jamais terei; as que convivo e as que nem sei quem são, porque todas carregam um fardo bem pesado só por serem quem são: mulheres. As que têm leveza no nome, as que têm perfume, cor, sabor no nome e as que levam em seus nomes a herança de todas as mazelas do mundo... Penso que ainda precisamos amar mais.

 



Escrito por Anderson Ribeiro às 19h11
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Firmamento

Olho o céu de Brasília
Mergulho no alto
Serão meus olhos escafandros?

Da Série Depoemetos

 

* Foto de Marcio Vaz



Escrito por Anderson Ribeiro às 21h23
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Quem inventou o errado?


Quem inventou o errado não atendeu aos seus instintos
Extinguiu de imediato o que era mais seu
E matou até a eternidade o que deveria ser natural e diverso
Quem inventou o errado já morreu e deixou pros seus a intolerância dos malditos.



Escrito por Anderson Ribeiro às 16h37
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Amigo


Amigo é aquele que o tempo não apaga.

Que entra na nossa vida e geralmente nem sabemos como.

Ri da nossa cara, mas chora também com nossas angústias.

É mão estendida e gargalhada desmedida.

Amigo é lareira acesa, faca afiada, deserto e cactus.

É metade loucura, metade sobriedade.

Metade vaia e metade aplauso.

Amigo é conversa desenfreada

É corpo, alma, coração e todo ouvido.

Amigo é sintonia, sinfonia e pura melodia

É sol, lua e bonança que vem depois de qualquer tempestade.

Mar calmo, brisa mansa e abraço apertado.



Escrito por Anderson Ribeiro às 19h09
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Quando a beleza irrompe o concreto

 

Não estranhe se avencas nascerem no túmulo.

Há vida onde se habita a morte

E a morte não é o fim de tudo.

Há sopro.

E avencas se espalham onde se abrem as fendas

Não há espaço para a morte eterna

Porque eterno é o que se renova:

O ciclo, o tempo, os dias que se descortinam a nossa frente

E nos possibilita novos desafios.

As avencas brotam nas brechas do impossível

E as daninhas nos lugares sempre acessíveis

Mas distantes do caminho em que mil passos já passaram.

A estrada é chão batido e pisado diuturnamente

É o rastro da insistência humana

Que mata o mato para ter passagem

E de tantas viagens

Tornou-se acesso fácil para outras paisagens.

Um traço, nem sempre reto que se leva ao longe

Ou ao nada quando não se encontra com o sonho

Mas o sonho é feito avencas que se faz vida no ermo

E mesmo sem perceber

Espalha-se como quem quer se eternizar.



Escrito por Anderson Ribeiro às 15h02
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