
Pingos Chuva cai na janela E gotas enchem minha noite de insônia. Da Série Depoemetos
Escrito por Anderson Ribeiro às 20h28
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Pesadelo E lá vai ele correndo pela floresta Fugindo dos seus medos. Pisando em galhos, Arrasando vermes. E lá vai ele correndo, correndo... Fugindo de si mesmo. Atropelando o vento, Escapando do tempo. Mas pra que correr se não há como fugir do próprio medo? Diga-me, por que correr se não há como fugir do pesadelo? II E ele corre, corre sem direção Como se pudesse escapar do assombro que o assola. E desesperadamente ele corre, corre e corre só E quanto mais distancia, mais mina sua coragem. E quando mais se embrenha mata a dentro Mais seus olhos arregalam de pavor. Sombras vindo, vultos voltando, volteando-no... Sons zumbindo, ruídos ruindo, catástrofe! E pra que fugir se se corre em círculos? Diga-me, por que correr se num pesadelo ninguém sai mesmo vivo? III Gostaria de acordar num susto De súbito, no átimo de sucumbir sem ar Como quem cai no abismo e não morre E heroicamente desaninhar dos braços de Morfeu e dos seus. Mas a vida é séria e galopa para a morte... sempre! Como sempre se serve dessa taça de puro sangue! Como sempre se vê à beira do mar que o sorve! Como sempre se sente indefeso quando dorme! Como sempre acontece incessantemente e não se importa. E não adianta debater-se na folhagem Não adianta voar, esticar os braços Não adianta nem mesmo procurar a luz Assim, queimando os olhos, o levará as trevas de vez. Diga-me, então, por que suar o lençol se não há salvação? Por que ressecar os lábios, perder o juízo, cansar-se em vão? Pra que se torturar, ficar rouco se ninguém vai ouvi-lo? Pra que, se você está sozinho e o tempo no último grão?
Escrito por Anderson Ribeiro às 17h57
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