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Relaxamento

 

 

Estou deixando o éter eternizar-se em mim

Para ver se fico etéreo,

Se fico zen.

 
Da Série Depoemetos



Escrito por Anderson Ribeiro às 23h52
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Carpideira

 

Nessa enxurrada de santos

Há muitos sapos pra engolir

Muita oração pra rezar

E pouca fé pra cuspir.

 

E se o que sai de mim é impuro

E cheira a pântano

Eu pago sapo

Eu bebo o santo.

 

Nessa chuva de sapos

E muitos santos pra engolir

Há pouca fé pra rezar

E muita oração pra cuspir.

 

Mas meu estado puro é ouro

E ainda assim sou estorvo

Nesse mundo de muitos sapos

Nessa vida de muitos santos (pra cuspir)

 

Nessa enxurrada de reza

Há pouca oração e fé

Eu enxoto os sapos com o pé

E cuspo os santos que engoli.

 

 



Escrito por Anderson Ribeiro às 05h16
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Dos Possíveis Libertados II

 

 

Eu contava os passos que dava no pátio. Circulava-o oito, dez vezes, duas vezes por semana. Era pequeno e dava pra contar a liberdade que tinha naquele momento, a liberdade que não sabia quando e se um dia estava a minha espera. Me perguntava sempre se um dia conseguiria me adaptar a outras distâncias e espaços... A liberdade é muito mais que uma virada de página; e isso é muito mais que lamber o dedo e passar folha por folha.  A liberdade vai além do lado de fora do pátio; vai além de quantos passos se podem dar depois do muro.



Escrito por Anderson Ribeiro às 00h10
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Instabilidade

 

 

De tanto pensar na vida

Ora rio, ora choro,

Ora me estranho, ora me aborreço,

Ora apareço... e assim vou me revezando.

H(ora) a h(ora).

 

 

Da Série Depoemetos



Escrito por Anderson Ribeiro às 20h44
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Pingos

 

 

Chuva cai na janela

E gotas enchem minha noite de insônia.

 

Da Série Depoemetos



Escrito por Anderson Ribeiro às 20h28
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Pesadelo

 

E lá vai ele correndo pela floresta

Fugindo dos seus medos.

Pisando em galhos,

Arrasando vermes.

 

E lá vai ele correndo, correndo...

Fugindo de si mesmo.

Atropelando o vento,

Escapando do tempo.

 

Mas pra que correr se não há como fugir do próprio medo?

Diga-me, por que correr se não há como fugir do pesadelo?

 

II

 

E ele corre, corre sem direção

Como se pudesse escapar do assombro que o assola.

E desesperadamente ele corre, corre e corre só

E quanto mais distancia, mais mina sua coragem.

 

E quando mais se embrenha mata a dentro

Mais seus olhos arregalam de pavor.

Sombras vindo, vultos voltando, volteando-no...

Sons zumbindo, ruídos ruindo, catástrofe!

 

E pra que fugir se se corre em círculos?

Diga-me, por que correr se num pesadelo ninguém sai mesmo vivo?

 

III

 

Gostaria de acordar num susto

De súbito, no átimo de sucumbir sem ar

Como quem cai no abismo e não morre

E heroicamente desaninhar dos braços de Morfeu e dos seus.

 

Mas a vida é séria e galopa para a morte... sempre!

Como sempre se serve dessa taça de puro sangue!

Como sempre se vê à beira do mar que o sorve!

Como sempre se sente indefeso quando dorme!

Como sempre acontece incessantemente e não se importa.

 

E não adianta debater-se na folhagem  

Não adianta voar, esticar os braços

Não adianta nem mesmo procurar a luz

Assim, queimando os olhos, o levará as trevas de vez.

 

Diga-me, então, por que suar o lençol se não há salvação?

Por que ressecar os lábios, perder o juízo, cansar-se em vão?

Pra que se torturar, ficar rouco se ninguém vai ouvi-lo?

Pra que, se você está sozinho e o tempo no último grão?



Escrito por Anderson Ribeiro às 17h57
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Axés

 

A Bahia é gigante e cabe todos os santos

O campo é grande e cabe o carnaval.

 

 

Da Série Depoemetos



Escrito por Anderson Ribeiro às 17h04
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Temperos

 

A fruteira está vazia a espera de sabores no meio da mesa da cozinha, no meio da cozinha, que nem de longe lembra a luz de outras cozinhas povoadas e cheirosas. A cozinha, sempre pensei, é a flor da casa... exala vários aromas; perfuma a manhã, o meio dia, à noite... a madrugada tem cheiro de repouso, mas não dorme se no quarto houver insônia.



Escrito por Anderson Ribeiro às 10h46
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Sonho

 

Meu sonho é pensamento sem pressa

Evento volátil a brincar enquanto durmo.

 

 

Da Série Depoemetos



Escrito por Anderson Ribeiro às 09h41
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Volatilidade

 

Sorver a vida numa taça de vinho...

Em que safra foi colhida minh’alma?

 

 

Da Série Depoemetos



Escrito por Anderson Ribeiro às 22h49
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Criação

 

Desatar os nós das mãos

Os nós dos dedos

Nas no-tas do violão...

Quantas são as canções a espera de nós?

 

 

Da Série Depoemetos

 

Obs: A fotografia é de Nanda Ferreira/BENDITA e está no seu flickr



Escrito por Anderson Ribeiro às 22h43
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invertebrado

 

Qual o osso do ofício da mariposa

Que posa, posa e voa?

 

 

Da Série Depoemetos



Escrito por Anderson Ribeiro às 10h46
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...

 

Minha rima é minha briga

Minha rima é minha vida

Então saia da minha... saia!

 

 

Da Série Depoemetos



Escrito por Anderson Ribeiro às 10h41
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Zona Norte

 

No morro, mesmo no topo,

Não se vê Cristo iluminado.

E (na favela) o que resta

É olhar mais para o alto;

Contemplar os astros;

E imaginar estrelas caindo

Para guiar os passos.



Escrito por Anderson Ribeiro às 07h21
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Desmaio

 

Escurece mais cedo no Sion

De onde se vê o sol

Esvaziando o Belo Horizonte



Escrito por Anderson Ribeiro às 23h11
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